segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O que é um produtor cultural?

(Conteúdo original do portal DoSol)
http://www.dosol.com.br/2008/10/13/editorial-portal-dosol-o-que-e-um-produtor-cultural/

Por Anderson Foca


Nosso editorial está de volta e hoje vamos novamente repercutir discussões que estão sendo travadas nas listas e na mídia em geral. O alvo da nossa reflexão hoje é o Produtor Cultural. Para começar, o que seria um Produtor Cultural? Semanticamente é bem simples. Produtor Cultural é a pessoa que gera conteúdo de cultura e promove esse conteúdo. Parece bobagem reinterar isso, mas se faz necessário. Empresário não é produtor cultural, produtor excecutivo não é produtor cultural e produtor de festas não é produtor cultural. Vamos separar bem as coisas mesmo sabendo que uma pessoa, se for muito boa no que faz, pode executar todos esses papéis ao mesmo tempo.

O Produtor Cultural também tem as suas fases de amadurecimento do trabalho. Vamos citar algumas delas.

1) Seus amigos te respeitam: Essa é a fase embrionária de um produtor cultural. É onde você está aprendendo como se portar em determinadas situações. É onde você começa a trabalhar, mesmo sabendo que aquilo não vai te dar dinheiro nenhum (e nunca de início dá mesmo) e praticamente só seus amigos dão ouvidos para o que você faz. Normalmente essa fase se dá numa transição em que a pessoa que escolhe ser Produtora Cultural vem de alguma atividade artística (música, teatro, pintura e afins). É muito difícil encontrarmos produtores culturais que não tiveram ao menos um começo em alguma expressão artística.

2) Teus amigos e artistas te respeitam - Nessa fase você já aprendeu a sair das produções mais simples e passa a fazer coisas cada vez mais relevantes dentro do seu pequeno circuito. Artistas vão começando a sentir confiança e levando a sério o que você faz naturalmente e é hora de dar um passo a frente e tentar fazer coisas um pouco maiores. As primeiras adversidades com egos vão começar a surgir. Mantenha-se calmo.

3) A cidade te respeita, você vira alvo - Pronto, agora você já é um produtor renomado dentro da sua cidade. Já faz coisas sistemáticas, produz cultura todos os dias, participa de discussões políticas sobre o assunto, é chamado para plenárias públicas sobre cultura e sempre dá sua opinião sobre a área em jornais e tvs locais. Nessa fase você já vai estar pautando novos produtores e vai ser, como jamais foi, alvo de críticas e de discussões sobre o valor do seu trabalho. Essa hora requer mais calma ainda, é aí que você vai se mostrar preparado para o embate. Se você é conhecedor do “pescado” não tem para que negar a crítica. Basta continuar agindo e os erros e acertos da sua caminhada se ajustarão normalmente.

4) O país te respeita, você é a bola da vez - Ser um produtor cultural conhecido no país inteiro é bom mas também é um fardo enorme. Primeiro porque você passa a ser tudo de bom e de ruim que tem no mundo, dependendo de quanto quem quer falar de você te conhece. Se para uns você é arrogante, para outos é acessível, se para uns você é um ladrão, para outros é um exemplo de austeridade. É muito natural nesta fase que todos citem seu trabalho como exemplo (bom ou ruim). É natural também que apareçam declarações que você jamais deu ou falou (muito comum em orkut, blogs e fotologs e agora comum até em mídias especializadas). As famosas fofocas.

A parte boa é que se seu trabalho chegou nesse nível você tem grandes possibilidades de intervir nos rumos da cultura no país, fazer ações cada vez maiores e financiadas por grandes patrocinadores (que acompanham o que você faz desde sempre). É a hora em que você se sente fazendo a diferença e isso não tem preço.

São passos difíceis de serem dados mas que são possíveis, bem possíveis. Se quiser seguir esse caminho é praticamente isso que você vai enfrentar, além de uma perrengue financeiro que quase sempre assola a classe. Pense bem para entrar nessa barca…

Um comentário:

Maldito e Popular disse...

O q é um produtor cultural? Perguntem antes ao Walter Benjamin, em "O autor como produtor".
Essa foca vulgar, como todo especialista em espetáculos (de natureza cultural) apresenta formulinhas patéticas para aqueles q querem seguir na manutenção dessa ordem espetacular: a mais tosca forma de humanidade jamais vista, tão refratária ao desenvolvimento tecnológico vertiginoso q está aí e não para de evoluir.
Leituras mixtas de Contigo e de autores pós-modernos o leva a dizer, com ares de novidade, uma listinha de pequenas e triviais banalidades, tão mixurucas e tão retardatárias nos debates "culturais"...
mais Marcuse, Adorno, Benjamin e Debord, menos Rolling Stone para esses especialistazinhos do espetáculo parcelar, muito menos...